2 de junho de 2011

"Onde estão as pessoas bacanas?"

Por Alyssa Hopp



"Tudo começou no sábado à noite:
'Poxa, Alyssa, você colocou aquela minha história lá no seu blog, não é bem assim, deixa eu te dar a minha versão', disse ele.
'Ok, ok. Mas ó, tudo o que eu vivo, tudo o que me contam vai parar lá. Sem nomes, sem comprometer. Mas vai. Cuidado então'.

Tudo começou no sábado à noite.
Ai, lá pelas tantas, depois de umas cervejas, ele fala:
'Ai eu sai com a beltrana, a cicrana, a fulana, mas não fechava. Sabe, as vezes a menina é até legal, gente boa, mas não fecha. Outras, é linda, mas não dá pra aguentar o papo. Eu to numa outra fase da minha vida, trabalho e tals, não tenho mais paciência pra uma postura meio boba. Sei lá, eu tava procurando, até achar e daí achei uma que deu o papo, deu a beleza. Tudo'.
'É...essa tal procura é foda mesmo. Mas quando a gente acha, não tem explicação', respondi.
Tudo começou no sábado à noite. Comecei a pensar no sábado à noite.

Todo mundo está à procura, já falamos disso por aqui. Às vezes meio sem querer, sem perceber, sem saber como. Caindo, topeçando, errando de novo. Mas todo mundo está à procura. Uma hora ou outra. E quando a gente para pra conversar, a gente vê que os nossos amigos, que pareciam sempre tão bem resolvidos, também estão à procura. Todo mundo procura. Procura. Procura. Procura. Não acha. Acha pelas metades. Incompleto. Aos trancos e barrancos. E, assim, continua a procura. A procurar.



Na verdade, me parece que ninguém mais sabe paquerar. A maioria, só pega. Eu ando com preguiça. De paquerar. De pegar. Preguiça da “Fabricação em série” das pessoas, das meninas e meninos que vão sempre às mesmas baladas, com a mesma roupa, a mesma bebida, o mesmo carro, o mesmo comportamento. Cansei de balada onde a gente tem que gritar para conseguir ouvir alguma coisa e se embebedar para achar que alguém de lá é interessante.



Já tentei paquerar naqueles barzinhos Cult, que abrem em uma esquina charmosa e onde você realmente encontra todo mundo. Bacana. Gente bacana. Comida bacana, bebida bacana. Papo bacana. Olhar bacana. Tão bacana que o pessoal se acha mais bacana do que é. Enfim, fiz vários amigos. Tenho um amigo que é fissurado em paquerar na Saraiva. Sei não, fica todo mundo olhando com cara de desentendido, pior, de poucos amigos: 'fique com suas letras que estou aqui com as minhas'. Já fui a trance, show de roque, incontáveis barzinhos, festinhas de amigos. Mas a maioria dos lugares a gente só acha gente desesperada. To fora.




Ultimamente to fora de quase tudo. To fora de baladas de playba, com meninas cada vez mais piriguetes, se jogando no colo de todos os homens. Elas ainda têm aquela voz meio anasalada, querendo ser meiga com querendo ser sexy com querendo ser pato. E os meninos? Cada um com seu Audi/Mercedes (que na verdade pegou emprestado do pai ou comprou usado), cabelinho de playmobil, desfilando suas camisas Ralf Lauren e tênis adidas, Nike... (com a logomarca enorme, como se adicionasse algo à sua vazia, inútil e inexpressiva personalidade). Preguiça total.




Ai, então, às vezes a gente para pra pensar: Onde é que está a tal da química? Sem o aditivo do álcool pré-conversa. Aquela química de conversar à toa, de passar horas em um parque, no domingo à noite, olhando nos olhos, falando abobrinha e rindo da vida. Cadê a tal da química que “fecha”, como disse meu amigo? Ficou só no colégio, nas aulinhas de ensino médio?



Onde estão as pessoas bacanas?
...




Foi então que me dei conta. As pessoas bacanas também pensando “onde estão as pessoas bacanas?” Estão com preguiça de irem às mesmas baladinhas de playboy, com os meninos-playmobil e as meninas-barbie. Estão com vontade de conversa e de olhos nos olhos, sem falsidade. Querem de uma cerveja na mesa do bar com risada, para matar a sede e o desejo por boa conversa. Todas as pessoas bacanas estão procurando pessoas bacanas.




Puta merda, peraí...



A verdade é que as pessoas de verdade, as pessoas bacanas estão em casa. Logo, portanto, então, a possibilidade de duas pessoas de verdade se encontrarem é muito pequena. Não é triste perceber que quanto mais interessante alguém é, menor a chance de encontrá-la por aí?




Que mundo estranho... "




*Adorei esse texto da Alyssa (minha amiga virtual do blog "Invisível no Real")
Gostaram?? Aqui:
http://invisivelnoreal.blogspot.com tem escritos super bacanas e com certeza você irá se identificar com muitos deles.




: )





(postado por Julie)

8 comentários:

  1. reeeennssga!
    essa foi pra acaba com os piqui do goiás...kkkkk

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  2. Texto massa mesmo!
    Sorte grande te encontrar então hein
    ; )

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  3. Sorte grande nos encontrarmos...
    : )

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  4. opa, opa...meu textinho está unindo as pessoas bacanas ;) rsrsrsrsrs

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  5. Texto excelente, é totalmente "real" acho que está até texturizando a atualidade, no momento não só percebemos essa dificuldade de encontrar alguem que faça a diferença como podemos sentir essa falta através de uma mistura de vazio e arrependimento quando se volta de uma balada e a ficha caí, foi só mais uma noite de sono perdida e alguns trocados

    www.saiadesalto.blogspot.com

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